Devido ao enorme sucesso, Carta ao Pai, de Franz Kafka, pela Companhia Satélite do Amor, retorna ao Cine Belas Artes para mais duas apresentações nos dias 25 e 26 de junho. Solo teatral de autoexpressão concebido, dirigido e interpretado por Dionisio Neto, o espetáculo mergulha nas profundezas da psique kafkiana, trazendo à vida a angústia e a complexidade das relações familiares por meio de uma interpretação magistral.
Com grande sucesso de público e crítica desde 2016, Carta ao Pai, apresenta a visão de Dionisio Neto do clássico kafkiano, escrito durante dez dias em que o autor tcheco ficou internado em um quarto da pensão Studl, sanatório de Kierling, nos arredores de Viena, entre 10 e 20 de novembro de 1919. A carta jamais chegou a ser lida pelo seu pai Hermann Kafka.
Adaptado de várias traduções, dirigido e produzido pelo próprio ator, o espetáculo trás Dionisio interpretando o pai Hermman Kafka e seu filho Franz, ao estilo do ator americano Spalding Grey – atrás de uma mesa, iluminado por velas diferenciando-os através das diferentes tonalidades da sua voz.
Com gestual e maquiagem inspirados no expressionismo alemão, vestido em um terno preto, o ator limpou o máximo de artifícios teatrais para compor o espetáculo. Nesta temporada, há utilização de recursos técnicos como o som constante de uma tempestade de gelo, fumaça, apenas uma mesa, uma cadeira, um castiçal judaico de sete velas (Menorah), um copo com água, uma Torah, uma maçã, uma caneta, um ator, os papéis da carta e a potência da literatura kafkiana. Um fio vermelho sobre a mesa, inspirado na Cabala paira sobre o ator. Pouquíssimos gestos buscam o essencial e o que há de teatral no clássico texto de Kafka.
Dionisio veste um terno preto, com camisa de smoking branca e gravata preta por baixo de um roupão cor de vinho. Quando ele vira definitivamente o pai, usa um chapéu e cachimbo.
Carta ao Pai é mais do que uma simples encenação teatral; é uma jornada emocional e intelectual através das complexidades das relações familiares e das ansiedades individuais. O espetáculo aproxima pais e filhos, causando emoção, reflexão e reconciliação entre eles.
Em um sanatório, internado com tuberculose no auge do inverno, o oprimido e doente autor judeu Franz Kafka (Dionisio Neto) escreve uma carta para seu pai, o opressor comerciante Hermann Kafka, em que fala do seu medo da figura paterna e da sua relação com ele em um acerto de contas de anos. A carta presta contas sobre seu passado tirano e propõe soluções para o convívio pacífico entre os dois. Por interferência de sua mãe, a carta nunca foi entregue ao seu destinatário. O espetáculo propõe uma reflexão sobre a relação entre pais e filhos, opressores e oprimidos e fala da leveza da vida através de um viés sombrio, ao estilo do autor. Dionisio vive o pai e o filho.
Adaptação, direção, figurinos, cenografia, trilha e produção: Dionisio Neto
Iluminação, operação de som e luz: Roberto Herrera Bueno
DIONISIO NETO (São Luís – MA, 29 de dezembro de 1971) é autor, ator, diretor, roteirista, poeta, figurinista, compositor, cantor, iluminador, empresário, professor, palestrante e produtor. Cursou Letras na FFLCH–USP e o primeiro workshop de dramaturgia do Royal Court Theatre de Londres no Brasil. Trabalha em teatro, cinema (Carandiru, Garotas do Abc, Contra Todos, entre outros), TV (A Favorita, Morde e Assopra, Carandiru – outras histórias, A dona do pedaço – TV Globo) e internet (Crime Time: Hora de Perigo – Canal +, França). Atuou no CPT de Antunes Filho e no Teatro Oficina de José Celso Martinez Corrêa, entre outros. Com sua Trilogia do Rebento no final dos anos 90 foi chamado pela crítica especializada como “o enfant terrible do Teatro Brasileiro”. Apresentou seus espetáculos em festivais nacionais (Festival de Curitiba) e internacionais (The BluePrint Series Festival de Nova Iorque, FITEI – Portugal) e ganhou diversos prêmios. É diretor artístico da Companhia Satélite desde 1995. Suas peças são temas de teses de universidades nacionais e internacionais.
FRANZ KAFKA, escritor tcheco, nasceu em 3 de julho de 1883. Era judeu e tinha uma relação conflituosa com seu pai, uma figura opressora que esteve, indiretamente, presente nas narrativas do escritor. Formado em Direito, trabalhou, durante 14 anos, no Instituto de Seguro de Acidentes de Trabalho, mas teve sua aposentadoria antecipada em 1922, devido à tuberculose. Assim, não pôde dedicar-se exclusivamente à escrita. As obras do escritor possuem traços expressionistas e estão abarcadas pelo modernismo. Portanto, é possível verificar, em suas narrativas, a deformação da realidade, a presença de alegorias, o anticonvencionalismo, o nonsense e o pessimismo. Seus principais livros são A Metamorfose, O Processo e O Castelo. Seu melhor amigo, Max Brod, foi o grande responsável pela divulgação das obras do autor, que morreu em 3 de junho de 1924.
Teatro: Carta ao Pai
Data: 25 e 26.06
Horário: 20h
Local: Cine Belas Artes
Endereço: Rua da Consolação, 2423 – Consolação – São Paulo/SP
Duração: 50 minutos
Classificação indicativa: 10 anos
Ingressos: R$ 70 (inteira) e R$ 35 (meia-entrada) – Na bilheteria ou no Sympla ( Dia 25.06 | Dia 26.06 )
Poltronas numeradas. Todas as salas contam com cadeiras adequadas para obesos e espaço para cadeirantes.